

Com o ano chegando ao fim, os impactos no comércio exterior são colocados em balanço para entender as perspectivas para o próximo ano. O contexto internacional ainda é apontado como momento incerto com os efeitos da Covid-19 e da guerra da Ucrânia. No caso do Brasil, há ainda mais desafios internos e externos que apresentam algumas vulnerabilidades para o comércio no exterior.
Algumas particularidades sobre o assunto foram discutidas em um evento organizado pelo Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE), que apresentou os aspectos e elementos que incidem ou que possam incidir sobre o comércio exterior brasileiro, incluindo o acordo entre Mercosul e União Europeia, a parceria com a China, o meio ambiente, entre outros.
Em 2021, o Brasil ocupou o 25º lugar como exportador no mundo, com o montante de US$ 281 bilhões exportados, o que corresponde a 1,3% do comércio de exportações. Na outra mão, o País foi o 27º maior importador, com 1% do total das importações, correspondentes a US$ 235 bilhões.
Os números mostram que o Brasil ainda não possui uma cultura solidificada de importação ou de exportação, ou seja, ainda não trabalha com o comércio exterior como um pilar da sua economia. O especialista em comércio internacional, Luizandré Barreto, salientou a necessidade de gerar benefícios para as empresas do Brasil começarem a vender seus produtos no mercado externo. “Em um mundo totalmente digital, as empresas precisam tomar ciência das inúmeras oportunidades que o produto brasileiro pode estar sendo comercializado em todo o mundo”, ressalta.
Quando apontado as dificuldades do país em se destacar no mercado exterior, o especialista aponta que a maior dificuldade do Brasil são a falta de incentivos e políticas públicas que possam deixar as empresas informadas sobre a possibilidade de se transformarem em uma empresa global que possa vender seus produtos para outros países.
A pandemia foi um catalisador para mostrar para países ao redor do mundo que o comércio internacional de empresas será o “novo normal” do COMEX. A digitalização é destaque nos impactos gerados pela crise sanitária dos últimos anos, ampliando e facilitando as possibilidades de venda.
Entre os mercados mais aquecidos, Luizandré Barreto aposta na indústria do alimento como um dos mais vantajosos para o próximo ano. O especialista ainda desmistifica o pensamento que para exportar é preciso produzir em larga escala, algo que acaba afastando os pequenos empresários dessa possibilidade.
“É claro que é possível que a empresa encontre rápido um cliente para seu produto. Porém, o histórico é que isso comece através de uma construção, de um trabalho de conscientização de que o produto é bom, tem apelo nutricional (se falando de produto de origem alimentar) e que a empresa tenha sustentabilidade juntamente com o conceito da própria empresa brasileira. Então, desta forma, podemos dizer que é preciso começar pequeno, mas começar”, aconselha.
Os números, no entanto, ainda são pequenos perante a potencialidade que o país possui e a meta para o próximo governo é fazer o Brasil subir no ranking. O especialista em comércio internacional evidência que a digitalização e a internacionalização da marca da empresa brasileira e das vendas serão o caminho para aumentar a relevância do país no mercado exterior, mas que é necessário apoio do governo.
Fonte: https://www.correiodosmunicipios-al.com.br/2022/10/incentivo-exportacao-pode-minimizar-desafios-do-comercio-exterior-brasileiro-em-2023/