“Perfil País” – China traça radiografia do comércio e aponta novas oportunidades de negócios






Brasília – Em 2009, a China tornou-se o principal parceiro comercial do Brasil. Naquele ano, as exportações brasileiras para o país asiático somaram US$ 20,995 bilhões e as importações totalizaram US$ 15,904 bilhões. A corrente de comércio (exportações+importações) totalizaram US$ 36,899 bilhões. Passados doze anos, em 2021, o fluxo de comércio sino-brasileiro registrou um salto exponencial e alcançou a cifra ade US$ 135,559 bilhões, resultado de US$ 87,908 bilhões em exportações brasileiras e US$ 47,651 bilhões em vendas chinesas. No período, o Brasil acumulou um superávit de US$ 40,217 bilhões nas trocas comerciais com os chineses.


Em 2022, o intercâmbio bilateral segue registrando números robustos, apesar de as exportações brasileiras terem decrescido ligeiramente (-2,4%) de janeiro a setembro, para US$ 69,860 bilhões, e de a participação chinesa nas vendas globais brasileiras ter igualmente caído para um patamar abaixo dos tradicionais 30%, situando-se em 27,5%.


Em contrapartida, as exportações chinesas tiveram uma alta expressiva de 33,9% no período e somaram US$ 45,549 bilhões, correspondentes a 22,1% de todo o volume de bens importados pelo Brasil, percentual ligeiramente superior aos 21,7% registrados no ano passado.


No estudo elaborado por uma equipe altamente especializada e que resultou no “Perfil País” – China, a ApexBrasil traça uma ampla e consistente radiografia das relações comerciais entre os dois países, e identifica uma série de oportunidades e desafios que permeiam o intercâmbio bilateral.


De acordo com o “Perfil”, o Brasil tem alta participação (acima de 66%) no mercado chinês de soja e no total, a participação brasileira em 2021 foi de 4,2%. Maior fornecedor do Brasil, a China teve no ano passado uma participação de 21,7% no volume total importado pelo Brasil.


Os principais concorrentes nos três produtos mais exportados pelo Brasil (minério de ferro, soja e petróleo) são, respectivamente, Austrália, Estados Unidos e Rússia. Entre 2017 e 2021, alguns produtos se destacaram pelo expressivo crescimento das exportações para a China: carne suína (89,01%) e açúcares (80,1%). A eles, a partir do ano passado, somou-se a carne bovina, que viu os embarques para o mercado chinês crescerem 61,9% para US$ 6,2 bilhões de janeiro a setembro de 2022.


O “Perfil País” – China destaca que o Brasil aparece como o sétimo maior fornecedor aos chineses, enquanto a China é a principal origem das importações brasileiras. Mas ressalta que “a diferença está na intensidade tecnológica dos dois fluxos, uma vez que as exportações brasileiras são intensivas em produtos primários, enquanto as importações nacionais com origem na China concentram-se em produtos intensivos em escala e de fornecedores especializados, com maior valor agregado”.


Os dados da balança comercial até o mês de setembro atestam essa realidade. No período, assim como vem acontecendo sistematicamente nos últimos anos, as exportações brasileiras se concentram em commodities e apenas três delas soja (US$ 27,9 bilhões), minério de ferro (US$ 14,4 bilhões) e petróleo (US$ 11,3 bilhões) responderam por 76% de um total de US$ 69,860 bilhões embarcados para o gigante asiático.


Em contrapartida, os chineses exportaram para o Brasil produtos como válvulas e tubos terminônicas, compostos organo-inorgânicos, equipamentos de telecomunicações, inseticidas, fungicidas e demais produtos da indústria de transformação.


De acordo com o documento da ApexBrasil, as importações do Brasil oriundas da China são diversificadas e os dez grupos de produtos mais comprados do país representam cerca de 55% do total, com participação mais significativa de subsetores de maior valor agregado.


Os principais concorrentes da China nas importações brasileiras são diversificados. No total, os Estados Unidos são o principal competidor do país asiático, mas em nichos em que a China é mais ativa (equipamentos de telecomunicações, válvulas e compostos orgânico-inorgânicos), Vietnã, Coreia do Sul e Alemanha são os concorrentes mais destacados no mercado brasileiro.


O “Perfil País” – China, baseado no Mapa de Oportunidades da Apex-Brasil identificou produtos com 433 oportunidades comerciais no mercado chinês para os exportadores brasileiros. Elas se concentram nos seguintes setores: materiais em bruto, não comestíveis, exceto combustíveis, envolvendo um mercado de US$ 234,8 bilhões em importações totais e do qual o Brasil participa com 24,2%; combustíveis minerais, lubrificantes e materiais relacionados, um mercado de US$ 177,3 bilhões, com participação brasileira de 7,8%); artigos manufaturados, classificados principalmente pelo material, mercado de US$ 55,8 bilhões e 5,3% de participação brasileira; produtos alimentícios e animais vivos, dos quais a China realiza importações anuais em torno US$ 35,8 bilhões, cabendo ao Brasil uma fatia de 24,8%; e outros: segmento formado por 179 produtos, com importações chinesas de US$ 52,9 bilhões e participação residual brasileira de apenas 1,9%.


O estudo da ApexBrasil contém uma análise do investimento chinês no Brasil, destacando que após crescer 146% entre 2011 e 2020, houve uma redução de 18,6% no biênio 2019-2020, sinalizando uma leve contração, possivelmente em virtude dos efeitos da pandemia. Em termos de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), a China ultrapassou o Japão e se tornou o principal investidor asiático no Brasil em 2019.


A China tem um estoque de IED no mundo da ordem de US$ 2,35 trilhões, dos quais US$ 23,4 bilhões se destinaram ao Brasil, em Investimentos Greenfield (energia eólica, fármacos, automóveis e máquinas de construção), fusões e aquisições (compra pela China Molybdeum da operação de Nióbio da Anglo American no Brasil, em 2016, no valor de US$ 1,7 bilhão); e Projetos de Infraestrutura, com investimentos no valor de US$ 3,7 bilhões em obras como a construção da linha de transmissão da usina de Belo Monte, no estado do Pará.


Fonte:https://www.comexdobrasil.com/perfil-pais-china-traca-radiografia-do-comercio-e-aponta-novas-oportunidades-de-negocios-com-o-maior-parceiro-comercial-do-brasil/

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